Jules e Jim - Uma Mulher para Dois

* Filme presente na minha lista

É uma aclamada obra da Nouvelle Vague dirigida pelo renomado Truffaut e que, diz-se, marcou a década de 60. Imagino que seja pela premissa, digamos, levemente amoral (uma amizade entre dois homens que não se abala e se adapta à paixão por uma única mulher), sobretudo para a época. Engraçado, uma vez que a trama ocorre em um período ainda mais remoto, por volta da Primeira Guerra Mundial. Me admirei pelo estilo, mas também me revoltei pelo enredo.

Na montagem, o ponto alto. Há vários elementos criativos, como cenas nas quais toda a relevância são transferidos para detalhes, sombras, paisagens. Algumas falas são reforçadas por legendas que pipocam espontaneamente e uma voz em off narra algumas passagens como se fosse um livro (e viajando um pouco na maionese).

Na história, a suavidade e o humor se mesclam com momentos mais amargos ou novelescos. De grosseiro mesmo, só a atitude de Catherine que, apesar da bela atriz que a interpreta (Jeanne Moreau), começa como uma mulher de poucos aditivos, mas o suficiente para seduzir Jules e Jim e, posteriormente, sapatear como quiser em cima deles. O temperamento leviano da moça e a passividade dos demais personagens (não só dos rapazes) é o que irrita. 

Se alguma interpretação permite enxergar nessa personagem atitudes revolucionárias inspiradoras para as mulheres (ainda mais reprimidas nos anos 60), para mim soa egocentrismo puro. Catherine (e, por consequência, a trama) se guia por vontades e os sentimentos contraditórios e inconscientes de tão bipolares. Não muito diferente de algumas das minhas ex-namoradas. 





Jules e Jim - Uma Mulher para Dois
(Jules et Jim)
França, 1962
Direção: François Truffaut
Alugado na Cult Video



3 Comments::

Mumu, sua irmã meio Catherine disse...

Ai ai ai, olha a dor de cotovelo!
Pois bem, esse é um dos filmes da minha vida (e um dia farei uma sessão no blog sobre esses filmes) e a Catherine é uma das personagens femininas mais marcantes que há no cinema. Junto com a Anna Karina. São duas personagens que amo e representam essa ruptura feminista, sim senhor! Só mostra que, naquela época, onde as mulheres se sujeitavam aos seus maridos, elas começram a ter o direito de simplesmente "curtir a vida", sem apegos e sem compromissos.
É claro que Holly Golightly do Bonequinha de Luxo também é um desses expoentes, e eu também admiro tremendamente, mas claro que ficou mais famoso e mais admirável por causa de um final feliz (manipulado).

Mumu, sua irmã entorpecida disse...

Ah, eu disse Anna Karina mas eu brizei. Essa é a atriz, é Anna Karenine! Hahahahha!

Victor L. disse...

Podem até ser símbolos de uma ruptura da época. Admito que elas fizeram o mesmo que muitos homens fazem/fizeram antes. Mas o exemplo, hoje, soa egocentrico. Catherine nem sabe o que quer! Se ela fosse ligeiramente razoável e sensível, ela não teria feito o que fez no final. Totalmente psico!

Vou simplificar. Se você quer curtir a vida da maneira que preferir mesmo que isso signifique ir contra o sentimento de terceiros, o direito é todo seu. Mas sempre, em todas as ocasiões, deve-se encarar as consequências. Catherine queria tudo, mas não queria enfrentar as consequências.

E Holly? Há muitas Hollys hoje em dia ainda. Holly não sabia "curtir a vida". Ela só achava que sabia, porque transformou todo esse "curtir" em futilidades e se preocupou só em manter esse status quo.

Hoje em dia, creio, há melhores exemplos de mulheres que sabem curtir a vida. Ramona Flowers e a Summer são as que me surgem na cabeça agora, mas há mais :P

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